Em
Roteiro de Montariol, de António de Sousa Araújo, nos é apresentada
a história de um convento: o Convento de Montariol. De acordo com Fr. Henrique
Perdigão, que assina o Pórtico, a
publicação do livro resultou da necessidade de reunir informações “que ajudarão
as pessoas a compreender o que em Montariol as faz sentir-se bem e a respirar
tranquilidade, paz e bem-estar” (p. 9). Esse propósito incendeia de imediato a curiosidade
de possíveis interessados e convida à leitura.
Já a folhear as páginas, observamos
uma organização em três partes: 1. Montariol: Igreja e Colégio Seráfico; 2.
Montariol: Notas e Aspectos da História; e 3. A Tipografia do Boletim Mensal
das Missões Franciscanas. Embora haja um núcleo de referência básica, o leitor pode
apropriar-se de cada parte de modo totalmente independente. É, entretanto, ao descobri-las
correlatas que se atinge uma unidade de pensamento, uma concordância efetiva,
uma comunhão intencional da existência do lugar, de homens e de coisas.
Em Igreja e Colégio, o autor decidiu registrar a história em ordem
cronológica. Ao lado das datas, escritas em formato predefinido para Portugal
em ano, mês e dia, é possível verificar (1) etapas do projeto de construção e
gestão de obras contínuas; (2) implantação dos espaços fundamentais da ação
litúrgica (presbitério, altar-mor, sacristia, coro, lugares de serviço etc.);
(3) relação de objetos e imagens em livros de inventários; (4) aquisição do
órgão austríaco Rieger; e (5) identificação de reitores/guardiões, beneméritos,
zeladores e construtores. Cabe mencionar que esses dados encontram-se contíguos
a outros que se relacionam com atividades e deliberações da ordem franciscana,
principais fatos políticos do século XX no mundo e em Portugal, e calendário de
eventos da Igreja Católica.
Quanto às Notas e Aspectos da História, Araújo esclarece que o texto, “que
agora aqui publicamos, muito ampliado e melhorado”, foi-lhe solicitado “há anos
pelo Doutor Domingos Guimarães Marques, para uma sua projectada obra Passeando pelas ruas de Braga,
entretanto suspensa, por motivos de saúde” (p.45). Feita essa advertência, o
autor informa a localização geográfica do monte da Boavista ou Montariol e, pelo
recurso de uma narrativa linear, ou seja de forma corrida, o leitor toma
conhecimento da história da igreja e Colégio/Convento de Montariol pelos
seguintes tópicos a saber: A Igreja de S.
Boaventura , ex-libris de Montariol; Irradiação apostólica pela Palavra
pregada; Irradiação pela divulgação da escrita; Implantação da República;
Montariol convertido em Quartel; O roubo do órgão e desaparecimento de Imagens;
Após anos de abandono e pilhagem, nova vida; A construção do Colégio de
1928-1938; Associação dos Antigos Alunos; Nos últimos 80 anos; Mata. Cruzeiro,
Capela e Quinta de Montariol e Centro “o Poverello”. ¹ É valido ressaltar que a observação atenta das palavras-chave, nos
tópicos, de pronto orienta o nosso raciocínio sobre o que essa Casa foi e é, e
sobretudo instiga a permanência no conteúdo.
A terceira e última parte, A Tipografia do Boletim Mensal das Missões
Franciscanas, aborda a atividade editorial da ordem franciscana que converteu
Montariol em “púlpito da palavra escrita
para o perto e para o longe, no espaço e no tempo (e que a acção da Internet
permite ver e ler onde ela se fizer sentir...) ” (p.85). Isso posto, Araújo coloca
em evidência a trajetória da tipografia destacando
(1) as alterações de endereço, com transferência de pessoal e oficinas, e a transformação destas em Tipografia da
“Editorial Franciscana”; (2) os títulos de publicações vinculadas à
Ordem, compostas e impressas em Montariol; e (3) as boas práticas dos frades diretores
e administradores desde 1923 – e conclui, lembrando que foi importantíssima a
contribuição da tipografia como escola profissionalizante em artes gráficas
para irmãos leigos a serviço das Missões em Portugal e no ultramar.
Igualmente relevante é o texto
Origo. Passio. Elevatio ² dentro do Roteiro. Logo depois do Pórtico,
um outro irmão, Fr. António Manuel Vinhas Lopes prepara o caminho de Montariol.
Da base ao cume do monte, Lopes não nos deixa uma compreensão objetiva do itinerário,
que poderia ser monótona, mas desenvolve a alma
da paisagem ³ em imagens poéticas, convidando todos “a entrar, a estar, a
passear e a passar”, ” a conhecer e a construir a história deste espaço” (p.11). E arremato: a sentir essa história, caminhando para seu
interior, e fazendo memória do Convento, reconhecer-lhe o valor.
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