LARAIA, Roque de
Barros. Cultura: um conceito antropológico.
Rio de Janeiro:
Zahar, 2009. 117p.
Primeira Parte: DA NATUREZA DA CULTURA
[Sobre o determinismo]
(...) “as diferenças de comportamento
entre os homens não podem ser explicadas através das diversidades somatológicas
ou mesológicas.” p.16.
“As diferenças existentes entre os
homens, portanto, não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes
são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente.” p.24
[Sobre endoculturação]
(...) “o comportamento dos indivíduos
depende de um aprendizado, de um processo que chamamos de endoculturação. Um
menino e uma menina agem diferentemente não em função dos seus hormônios, mas
em decorrência de uma educação diferenciada.” p.20
(...) “que a mente humana não é mais do
que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade
ilimitada de obter conhecimento, através de um processo que hoje chamamos de
endoculturação.” p.25-26
[Sobre a tarefa da Antropologia]
(...), “Geertz escreveu que o tema mais
importante da moderna teoria antropológica era o de “diminuir a amplitude do
conceito e transformá-lo num instrumento mais especializado e mais poderoso
teoricamente.” p.27-28
(...) “uma das tarefas da antropologia
moderna tem sido a reconstrução do conceito de cultura fragmentado por
numerosas reformulações.” p.59
“Estudar cultura é portanto estudar um
código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura.” p. 63
[Sobre o conceito de cultura]
“Em 1871, Tylor definiu cultura como
sendo todo comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma
transmissão genética, como diríamos hoje.”p.28
(...) “tudo o que o homem faz, aprendeu
com os seus semelhantes e não decorre de imposições originada fora da
cultura.”p.51
(...) “uma compreensão exata do
conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana,”p.63
[Sobre a origem da cultura]
“Claude Lévi-Strauss (...) considera
que a cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a
primeira norma.” p.54
“è o exercício da faculdade de
simbolização que cria a cultura e o uso de símbolos que torna possível a sua
perpetuação. Sem o símbolo não haveria cultura, e o homem seria apenas animal,
não um ser humano..”p.55
“A cultura desenvolveu-se, pois,
simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é, por isso mesmo,
compreendida como uma das características de espécie, ao lado do bipedismo e de
um adequado volume cerebral.”p.58
[Sobre as teorias]
“Keesing refere-se (...) às teorias que
consideram a cultura como um sistema adaptativo.” p.59 “A
tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social
diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura.”
p.60
[A primeira abordagem das teorias
idealistas da cultura] “é a dos que consideram cultura como sistema
cognitivo : tudo aquilo que alguém tem de conhecer ou acreditar para
operar de maneira aceitável dentro de sua sociedade. (...) A segunda abordagem
é aquela que considera cultura como sistemas estruturais,
(...) como um sistema simbólico que é uma criação acumulativa da mente humana.
A última das três abordagens (...) é a que considera cultura como
sistemas simbólicos.” p.60-61
Segunda Parte: COMO OPERA A CULTURA
[Sobre como opera a cultura]
“Homens de culturas diferentes usam
lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas.” p.67
“O fato de que o homem vê o mundo
através de sua cultura tem como conseqüência (...) O etnocentrismo” p. 72-73
“Comportamentos etnocêntricos resultam
também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes.
Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas,
deprimentes e imorais.”p.74
“Mas qualquer que seja a sociedade, não
existe a possibilidade de um indivíduo dominar todos os aspectos de sua
cultura.” p.82
(...) “é necessário ter um conhecimento
mínimo para operar dentro do mesmo. Além disso, esse conhecimento mínimo deve
ser partilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a
convivência dos mesmos.” p.86
[Sobre a lógica da
cultura]
“Todo sistema cultural tem a sua
própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar
transferir a lógica de um sistema para outro.” p.87.
(...) “cada cultura ordenou a seu modo
o mundo que a circunscreve” p.92
(...) “a lógica de um sistema cultural
depende da compreensão das categorias constituídas pelo mesmo.” p. 93
[Sobre a dinâmica da cultura]
“Podemos agora afirmar que existem dois
tipos de mudança cultural: uma que é interna, resultante da dinâmica do próprio
sistema cultural, e uma segunda que é o resultado do contato de um sistema
cultural com um outro.” p.96
“O tempo constitui um elemento
importante na análise de uma cultura.” p. 99
“Concluindo, cada sistema cultural está
sempre em mudança. Entender esta dinâmica é importante para atenuar o
choque entre gerações e evitar comportamentos preconceituosos.” p. 101

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