27 agosto 2024

A cultura em Laraia: fichamento


LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico

Rio de Janeiro: Zahar, 2009. 117p.

 

Primeira Parte: DA NATUREZA DA CULTURA

[Sobre o determinismo]
(...) “as diferenças de comportamento entre os homens não podem ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesológicas.” p.16.
“As diferenças existentes entre os homens, portanto, não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente.” p.24
[Sobre endoculturação]
(...) “o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo que chamamos de endoculturação. Um menino e uma menina agem diferentemente não em função dos seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.” p.20
(...) “que a mente humana não é mais do que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade ilimitada de obter conhecimento, através de um processo que hoje chamamos de endoculturação.” p.25-26
[Sobre a tarefa da Antropologia]
(...), “Geertz escreveu que o tema mais importante da moderna teoria antropológica era o de “diminuir a amplitude do conceito e transformá-lo num instrumento mais especializado e mais poderoso teoricamente.” p.27-28
(...) “uma das tarefas da antropologia moderna tem sido a reconstrução do conceito de cultura fragmentado por numerosas reformulações.” p.59
“Estudar cultura é portanto estudar um código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura.” p. 63
[Sobre o conceito de cultura]
“Em 1871, Tylor definiu cultura como sendo todo comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, como diríamos hoje.”p.28
(...) “tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originada fora da cultura.”p.51
(...) “uma compreensão exata do conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana,”p.63
[Sobre a origem da cultura]
“Claude Lévi-Strauss (...) considera que a cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma.” p.54
“è o exercício da faculdade de simbolização que cria a cultura e o uso de símbolos que torna possível a sua perpetuação. Sem o símbolo não haveria cultura, e o homem seria apenas animal, não um ser humano..”p.55
“A cultura desenvolveu-se, pois, simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características de espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.”p.58
[Sobre as teorias]
“Keesing refere-se (...) às teorias que consideram a cultura como um sistema adaptativo.” p.59 “A tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura.” p.60
[A primeira abordagem das teorias idealistas da cultura] “é a dos que consideram cultura como sistema cognitivo : tudo aquilo que alguém tem de conhecer ou acreditar para operar de maneira aceitável dentro de sua sociedade. (...) A segunda abordagem é aquela que considera cultura como sistemas estruturais, (...) como um sistema simbólico que é uma criação acumulativa da mente humana. A última das três abordagens (...) é a que considera cultura como sistemas simbólicos.” p.60-61
 Segunda Parte: COMO OPERA A CULTURA
[Sobre como opera a cultura]
“Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas.” p.67
“O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência (...) O etnocentrismo” p. 72-73
“Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais.”p.74
“Mas qualquer que seja a sociedade, não existe a possibilidade de um indivíduo dominar todos os aspectos de sua cultura.” p.82
(...) “é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo. Além disso, esse conhecimento mínimo deve ser partilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos.” p.86
[Sobre a lógica da cultura]
“Todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para outro.” p.87.
(...) “cada cultura ordenou a seu modo o mundo que a circunscreve” p.92
(...) “a lógica de um sistema cultural depende da compreensão das categorias constituídas pelo mesmo.” p. 93
[Sobre a dinâmica da cultura]
“Podemos agora afirmar que existem dois tipos de mudança cultural: uma que é interna, resultante da dinâmica do próprio sistema cultural, e uma segunda que é o resultado do contato de um sistema cultural com um outro.” p.96
“O tempo constitui um elemento importante na análise de uma cultura.” p. 99
“Concluindo, cada sistema cultural está sempre em mudança. Entender esta dinâmica é importante para atenuar o choque entre gerações e evitar comportamentos preconceituosos.” p. 101

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